domingo, 19 de fevereiro de 2012

Canção

Quando o tempo foi caindo
nos teus cabelos molhados
na testa do esquecimento
nasceu a fada encantada.

Tudo chorou em silêncio
e o crepúsculo enterrado
no cemitério da noite
ficou no tempo parado.

Um jardim feito de espantos
dizia ao resto da terra
que mesmo onde nascem flores
mil cadáveres se enterram.

(Clóvis Moura - Duelos com o Infinito)

Depois da Luta




Tenho no peito, abertas, mais de vinte
Chagas de dor e triste já descambo
Do Palácio do Amor, ferido e bambo,
Sofrendo ainda o derradeiro acinte...

As mulheres que, em lúgubre requinte,
Me mostraram as faces cor de jambo
E que eu cantei, em doce ditirambo,
Me apunhalaram na manhã seguinte.

Meu amor não foi mais do que um suplício...
Em lugar dos prazeres que eu previa,
Achei as falsas bacanais do vício.

Hoje vou pela vida triste e langue.
Ai! se eu soubesse nunca o transporia...
Vede este chão... é sangue! sangue! sangue!

(Da Costa e Silva)