sábado, 22 de janeiro de 2011

Ignota Dea


Anjo, esfinge ou mulher, visão que almejo,
Por quem vivo de amor e a quem receio,
Vida da minha vida, que eu não vejo,
És a deusa a quem amo e a quem odeio...

Alheio ao gozo e à desventura alheio,
Não te vejo e te evito a todo ensejo,
E tanto mais de ti me sinto cheio,
Mais te busco olvidar e te desejo...

Sonho de louco e signo de delírio,
É-me o teu ser, satânico e celeste,
Origem de alegria e de martírio...

Debalde ausculto o coração e exclamo:
_ Quem és tu? Quem és tu? De onde vieste?
E não conheço enfim essa a quem amo...

(Da Costa e Silva - Sangue)

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