domingo, 19 de fevereiro de 2012

Depois da Luta




Tenho no peito, abertas, mais de vinte
Chagas de dor e triste já descambo
Do Palácio do Amor, ferido e bambo,
Sofrendo ainda o derradeiro acinte...

As mulheres que, em lúgubre requinte,
Me mostraram as faces cor de jambo
E que eu cantei, em doce ditirambo,
Me apunhalaram na manhã seguinte.

Meu amor não foi mais do que um suplício...
Em lugar dos prazeres que eu previa,
Achei as falsas bacanais do vício.

Hoje vou pela vida triste e langue.
Ai! se eu soubesse nunca o transporia...
Vede este chão... é sangue! sangue! sangue!

(Da Costa e Silva)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ignota Dea


Anjo, esfinge ou mulher, visão que almejo,
Por quem vivo de amor e a quem receio,
Vida da minha vida, que eu não vejo,
És a deusa a quem amo e a quem odeio...

Alheio ao gozo e à desventura alheio,
Não te vejo e te evito a todo ensejo,
E tanto mais de ti me sinto cheio,
Mais te busco olvidar e te desejo...

Sonho de louco e signo de delírio,
É-me o teu ser, satânico e celeste,
Origem de alegria e de martírio...

Debalde ausculto o coração e exclamo:
_ Quem és tu? Quem és tu? De onde vieste?
E não conheço enfim essa a quem amo...

(Da Costa e Silva - Sangue)

Da Costa e Silva

Sou profunda admiradora da obra do poeta amarantino-piauiense Antônio Francisco DA COSTA E SILVA, e gostaria de humildemente homenageá-lo, postando aqui, alguns dos seus poemas. Ricos de emoção, de profunda paixão por sua terra. Merecidamente intitulado o "Príncipe dos Poetas", recebendo nessa menção toda a gratidão da sociedade piauiense pela sua inestimável contribuição à cultura do Estado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Poemas

Caiu uma gota no telhado
Uma outra sobre a macieira;
Meia dúzia fez rir a calha
E foi dar beijos na goteira.

Algumas correram em socorro
Dos córregos. Outras dos mares.
Se fossem pérolas, pensei,
Poderiam dar que colares!

Reposto o pó pelas estradas,
Alegres, pássaros cantaram;
A luz jogou fora o chapéu,
Os frutos paetês gotejaram.

A brisa trouxe alaúdes tristes
E na alegria os mergulhou.
O leste ergueu uma bandeira
E o festival terminou.

(Emily Dickinson)

O amor tem vozes misteriosas


- O amor tem vozes misteriosas
No coração implume...
- Como são cheirosas as primeiras rosas,
E os primeiros beijos como têm perfume!

- O amor tem prantos de abandono
No coração que morre...
- As folhas tombam quando vem o outono,
E ninguém as socorre!

- O amor tem noites, noites inteiras,
De agonias e de letargos...
- Que tristeza têm as rosas derradeiras,
E os últimos beijos como são amargos!

(Alphonsus de Guimaraens)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Intensamente

Desejando ter você, devaneio... às vezes silenciosa,
ora ruidosamente....
Fui alcançada por tua magia, como por ondas gigantes,
enlevada, seduzida, não reajo....
Atravesso as tênues paredes da vida...numa incansável
procura por tua presença....
Intensamente te desejo,
intensamente te amo,
intensamente vivo a incessante busca por ti,
pelo teu amor.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

.......Sonhos.......


Mais um ano que se finda......
hora de renovar as esperanças e também
aquelas promessas que se constituem
eternas.....
Pois encantadamente, são nossas motivações
fontes de nossa energia.....
de todo o nosso vigor.....
São nossos SONHOS que nos reafirmam
e nos identificam
enquanto humanidade
que busca PAZ, PLENITUDE.....